Reposição de testosterona: preço e receita no Brasil
Quanto custam os medicamentos de testosterona vendidos no Brasil, que receita a farmácia exige, o que o SUS passou a oferecer em 2026 e o que o Conselho Federal de Medicina proíbe. Preços consultados em 23 de outubro de 2026.
- • Preço na farmácia: Durateston de R$ 41 a R$ 65 a ampola, Deposteron de R$ 110 a R$ 215 a caixa com 3 ampolas e Nebido de R$ 683 a R$ 882 a ampola.
- • Receita branca, em duas vias. A testosterona é da lista C5 e exige Receita de Controle Especial, válida por 30 dias, com CID.
- • SUS: desde junho de 2026 oferece testosterona para o hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico.
- • Só com deficiência comprovada. O CFM proíbe receitar testosterona para estética, ganho de massa muscular ou desempenho esportivo.
Quanto custa cada medicamento
Três injetáveis de testosterona vendidos no Brasil têm preços muito diferentes, porque são formulações diferentes. A tabela mostra a faixa de preços encontrada no comparador CliqueFarma e, para o Nebido, também a oferta da Extrafarma.
| Medicamento | Apresentação | Faixa de preço |
|---|---|---|
| Durateston (quatro ésteres de testosterona, Aspen) | 250 mg/mL, 1 ampola de 1 mL | R$ 41,49 a R$ 65,00 |
| Deposteron (cipionato de testosterona, EMS) | 200 mg/2 mL, 3 ampolas | R$ 109,90 a R$ 215,00 |
| Nebido (undecilato de testosterona, Schering do Brasil) | 1000 mg/4 mL, 1 ampola | R$ 682,99 a R$ 882,26 |
Durateston: 6 ofertas; Deposteron: 8 ofertas; Nebido: Extrafarma (R$ 682,99, de R$ 871,63) e uma oferta no CliqueFarma. Consultado em 23 de outubro de 2026. Os preços mudam com frequência e variam por farmácia e região.
Não calculamos um custo mensal, porque ele depende inteiramente da dose e do intervalo que o médico prescrever. Com a sua receita em mãos, a calculadora de duração e custo do frasco mostra quantas aplicações cabem em cada ampola e quanto custa cada uma. A calculadora de dose de TRT converte a dose prescrita em mL e unidades de seringa.
Entre os injetáveis, o posicionamento brasileiro de 2026 da SBEM, da SBU e da ABEMSS considera o undecilato de longa ação (o Nebido) a preparação intramuscular preferida, por manter níveis mais estáveis com menos aplicações. O gel transdérmico é descrito como uma opção eficaz e segura. A ampola mais barata não é necessariamente o tratamento mais barato: o intervalo entre aplicações muda a conta.
A receita: branca, em duas vias
A testosterona está na lista C5 (anabolizantes) da Portaria SVS/MS 344/1998. Na prática, isso significa:
- Receita de Controle Especial em duas vias. É a receita branca. A farmácia retém a primeira via e devolve a segunda ao paciente. A exceção conhecida é Goiás, onde uma resolução estadual exigia a Notificação de Receita B, azul, para anabolizantes prescritos no próprio estado, segundo nota técnica da vigilância sanitária estadual de 2019.
- Validade de 30 dias a partir da data de emissão.
- Dados obrigatórios. A Lei 9.965/2000 condiciona a venda de esteroides anabolizantes à retenção da receita e exige a identificação de quem prescreve, o número de registro no conselho, o CPF, os dados do paciente e o CID.
Testosterona vendida sem receita, em academias ou pela internet, não passa por nenhum desses controles. Ninguém confere o que há na ampola nem acompanha o seu hematócrito.
O que o CFM permite e o que proíbe
A Resolução CFM 2.333/2023 trata exclusivamente do uso de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular e de desempenho esportivo. Ela estabelece que as terapias de reposição hormonal estão indicadas em caso de deficiência específica comprovada e veda, entre outros:
- o uso de qualquer formulação de testosterona sem a devida comprovação diagnóstica da deficiência;
- o uso com finalidade estética ou de melhora do desempenho esportivo, para atletas amadores ou profissionais;
- a prescrição de hormônios vendidos como “bioidênticos” ou em formulação “nano” sem comprovação científica.
A mesma resolução lembra que a Resolução CFM 1.999/2012 já vedava o uso de terapias hormonais com a finalidade de retardar, modular ou prevenir o envelhecimento. Por isso, uma consulta que promete testosterona sem exame de sangue ou “para performance” está fora das regras do próprio conselho.
Como é feito o diagnóstico
O posicionamento conjunto de 2026 da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Brasileira para o Estudo da Medicina Sexual e Saúde define os critérios usados no país:
- Coleta pela manhã, em jejum. Entre 7h e 10h, depois de jejum noturno. Se o resultado vier baixo, repete-se em condições semelhantes, de preferência cerca de quatro semanas depois.
- Pontos de corte. Testosterona total abaixo de 264 ng/dL sustenta o diagnóstico; acima de 350 ng/dL normalmente o exclui. Entre os dois, investiga-se mais, com a testosterona livre calculada (ponto de corte de 6,5 ng/dL).
- Sintomas são obrigatórios. O diagnóstico combina sinais e sintomas compatíveis com a confirmação laboratorial. Não se recomenda rastrear homens sem sintomas.
Para ler o resultado em outra unidade, use o conversor de unidades de testosterona. A calculadora de testosterona livre estima o valor livre a partir da testosterona total e da SHBG.
O que o SUS oferece
Em junho de 2026, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o undecilato de testosterona, o cipionato de testosterona e a combinação de quatro ésteres para homens com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico, a forma causada por alterações nas estruturas cerebrais que estimulam os testículos. A combinação de ésteres também foi incorporada para induzir a puberdade em adolescentes com a doença. O anúncio não menciona outras formas de hipogonadismo, como a associada à idade. Também não informa o prazo para a oferta chegar às unidades.
Os exames de diagnóstico e acompanhamento podem ser feitos pelo SUS ou pelo convênio. Em laboratório particular, o preço de testosterona total, hemograma e PSA varia muito de cidade para cidade; peça orçamento antes.
O acompanhamento também custa
O posicionamento de 2026 recomenda avaliar testosterona e hematócrito aos 3, 6 e 12 meses de tratamento e depois uma vez por ano, além de toque retal e PSA aos 3 e aos 12 meses. Dois números importam:
- Hematócrito acima de 54%: o documento recomenda suspender o tratamento temporariamente e retomar depois com dose menor, possivelmente em outra formulação. O guia de exames explica cada marcador.
- PSA: uma subida acima de 1,4 ng/mL nos primeiros 12 meses, ou acima de 0,75 ng/mL por ano depois disso, é motivo para encaminhamento ao urologista.
Para uma visão geral de TRT, GLP-1 e peptídeos no Brasil, veja acesso e custos.
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Baixar na App StorePerguntas frequentes
Quanto custa a reposição de testosterona por mês?
Depende do medicamento e da dose prescrita, por isso não existe um valor único. Em 23 de outubro de 2026, uma ampola de Durateston 250 mg/mL custava de R$ 41,49 a R$ 65,00, uma caixa de Deposteron com 3 ampolas de 200 mg/2 mL de R$ 109,90 a R$ 215,00 e uma ampola de Nebido 1000 mg/4 mL de R$ 682,99 a R$ 882,26. Somam-se consulta e exames, se não forem pelo SUS ou pelo convênio.
Testosterona precisa de receita azul ou branca?
Na maior parte do país, branca. A testosterona está na lista C5 (anabolizantes) da Portaria SVS/MS 344/1998 e é vendida com Receita de Controle Especial em duas vias, válida por 30 dias a partir da emissão. A farmácia retém a primeira via. Em Goiás, uma resolução estadual exigia a receita azul (Notificação B) para prescrições feitas no estado. A Lei 9.965/2000 exige ainda o CID, o registro no conselho e o CPF de quem prescreve.
O SUS oferece testosterona?
Desde junho de 2026, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o undecilato de testosterona, o cipionato de testosterona e a combinação de quatro ésteres para homens com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico, a forma causada por alterações nas estruturas cerebrais que estimulam os testículos. Outras formas de hipogonadismo não foram citadas no anúncio.
O médico pode receitar testosterona para ganhar massa muscular?
Não. A Resolução CFM 2.333/2023 veda o uso de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora do desempenho esportivo. Também veda o uso de testosterona sem comprovação diagnóstica da deficiência. A reposição é indicada em caso de deficiência comprovada.
Qual nível de testosterona indica reposição?
Segundo o posicionamento conjunto de 2026 da SBEM, da SBU e da ABEMSS, testosterona total abaixo de 264 ng/dL sustenta o diagnóstico de hipogonadismo e valores acima de 350 ng/dL normalmente o excluem, sempre junto com sinais e sintomas. A coleta deve ser feita entre 7h e 10h, em jejum. Se o resultado vier baixo, ela é repetida.
Páginas relacionadas
Guia de TRT · Acesso e custos · Exames · Calculadora de dose de TRT · Duração e custo do frasco · Conversor de unidades
Fontes
- Hohl A, Lopes L, Ronsoni MF, et al. Care of patients with male hypogonadism: a joint position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM), the Brazilian Society of Urology (SBU), and the Brazilian Association for Sexual Medicine and Health (ABEMSS). Int Braz J Urol 2026;52(3). doi:10.1590/S1677-5538.IBJU.2025.0610
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023. Diário Oficial da União, 11 de abril de 2023, Seção 1, p. 226.
- Conselho Federal de Farmácia. SUS passa a oferecer testosterona para pacientes com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico. 17 de junho de 2026.
- Lei nº 9.965, de 27 de abril de 2000 (venda de esteroides ou peptídeos anabolizantes). Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada.
- Portaria SVS/MS nº 344/1998, art. 52, § 1º (validade de 30 dias para as listas C1 e C5) e duas vias com retenção da primeira, conforme reproduzido em: Conselho Regional de Farmácia de São Paulo. Orientação farmacêutica: dispensação de medicamentos sujeitos ao controle da Portaria SVS/MS nº 344/98, 2023.
- Secretaria de Estado da Saúde de Goiás. Nota técnica CFCM/GVSP/SUVISA/SES-GO nº 001/2019 (receituários de controle especial e lista C5 em Goiás). Fevereiro de 2019.
- CliqueFarma, comparador de preços: Durateston 250 mg/mL 1 ampola; Deposteron 200 mg/2 mL 3 ampolas; Nebido 4 mL. Consultado em 23 de outubro de 2026.
- Extrafarma. Nebido 250 mg/mL, 1 ampola de 4 mL. Consultado em 23 de outubro de 2026.